terça-feira, 7 de abril de 2009

A vida (nada) boêmia dos atletas

Caros boêmios,

O drama vivido por Adriano, seja ele qual for, me faz refletir sobre a vida dos atletas profissionais.

Em primeiro lugar, há de se considerar que são seres humanos comuns. Óbvio, porém nem tanto. A mídia primeiro massacrou o jogador quando suas noitadas regadas de drogas e álcool estamparam páginas de jornais. Depois, o que vimos foi uma comoção mundial. Então, o vilão virou o herói ferido.

O caso do Imperador tem suas particularidades. Como outros, e surge das favelas. Como poucos, perdeu um ente querido, como ele perdera o pai. Como tantos, foi jogar na europa cedo. Como poucos adquiriu status e apelido globalizado. Como milhares, caiu lesionado. Como poucos recebeu tratamento (físico e psicológico) adequados. Como milhões, voltou-se a cair...

Apesar de não saber exatamente do que se trata o drama do jogador, acho que sua carreira está próxima ao fim. O portal Globo.com noticiou que o atleta está ou esteve na favela onde passou quase toda a vida. O texto diz que a carente comunidade é o único lugar do mundo em que o Imperador de Milão se sente feliz. Se tudo isso for verdade e o atleta decidir por encerrar sua trajetória no esporte ainda jovem (e com muito milhões de euros por entrar na conta), por acreditar que será mais feliz de volta às origens, então ele terá meu respeito. Qualquer outra razão merece uma outra reflexão.

O fato é que vivemos na era dos jogadores-multi-milionários-instantâneos. Os clubes, detentores dos diretos desses atletas estão atrasados. Erram quando contratam. Além de um rigoroso teste físico e cardíaco, já chegou a hora de submeter os jogadores a exames psico-qualquer-coisa. E oferecer acompanhamento de especialistas a esses jogadores, de forma obrigatória.

Usando novamente o exemplo de Adriano. Não dá para exigir um comportamento de Zidane, Maldini ou mesmo de Kaká para atletas que trilharam o caminho de muitos ídolos brasileiros. Imagine que você viveu, do seu primeiro dia de vida aos 17, 18 ou 19 anos com um salário mínimo. Com pais alcóolatras. Amigos envolvidos com crime, drogas, presos ou mortos violentamente. De repente, você se vê como um dos rostos mundialmente conhecido e exaltado. Dos R$ 50 na conta para cifras astronômicas de uma moeda que tem o dobro ou o triplo do real. Mulheres lindas, festas, roupas, carros, entrevistas, comerciais, patrocinadores, concentração, desconfiança...

Acredito que uma nova fase vem por aí. Os clubes estão aprendendo. Se o futebol perder um potencial como o de Adriano tão precocemente, um sinal de alerta será ligado.

Claro, nem todos serão Adrianos, Garrinchas, Ronaldinhos Gaúchos ou Robinhos, mas nem todos serão Pelés, Kakás, Rivaldos ou Neymares (pelo menos enquanto seu pai estiver no comando).

Cheers

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